Volumes falsos: por que as exchanges de criptomoedas manipulam seus dados de negociação?

O volume de negociações falsas é um problema persistente nas exchanges de criptomoedas. Com pouca ou nenhuma supervisão regulatória, pode ser difícil determinar se os números de volume relatados são precisos ou exagerados.

Algumas empresas de análises como CoinMetrics, IntoTheBlock, Nomics, Cryptocompare, Hacken e Coingecko estão adotando uma abordagem orientada por dados para investigar e conseguir apresentar uma métrica de que se pode chamar de “volume confiável” para ajudar a identificar o volume de negociação legítimo.

Os métodos adotados por cada uma dessas empresas se baseiam em uma combinação de recursos quantitativos e qualitativos: correlação de volume, análise de tráfego da web e recursos qualitativos. Cada uma dessas três categorias culmina em um teste de aprovação/reprovação. 

O fato é que ainda não há ferramentas prontas para lidar com esse tipo de análise. Todas as análises são criadas cruzando dados e fazendo inferência sobre o tráfego e popularidade de uma exchange nas redes sociais, por exemplo.

As casas de análises e agregadores como os citados acima utilizam-se de uma nomenclatura chamada como Trust Score, composta pelos seguintes itens:

  • Liquidez / Qualidade do tráfego na Web – Volume relatado, profundidade da carteira de pedidos, spread de carteira de pedidos, atividade comercial e qualidade geral do tráfego na Web.
  • Escala de operações – Mede o volume geral de negociação de uma exchange, a profundidade da carteira de pedidos, o spread e a atividade da carteira de pedidos em relação ao restante do setor?
  • Cobertura técnica da API – mede a capacidade de uma exchange em termos de disponibilidade e cobertura da API

Volume de negociação

A partir dos dados desses agregadores é possível aferir uma métrica chamada por Daily Trading Volume (DTV).

Durante períodos de alta volatilidade e grandes movimentos de preços, as exchanges  observam um aumento nos volumes de negociação em uma magnitude semelhante à de seus pares. O mesmo se aplica em tempos de baixa volatilidade e pequenos movimentos de preços. Assim, o volume autêntico deve ter uma correlação mais alta com outro volume autêntico. 

O volume falso deve aparecer como um valor externo com menor correlação. Portanto, como estamos falando de um mercado simétrico, onde não há grandes diferenças básicas entre as exchanges, se uma apresentar volume de negócios muito alto em algum momento que pode ser visto como sistêmico e outras exchanges do mesmo tamanho não apresentarem o mesmo aumento ou similar ao mesmo tempo, indica-se aí a possibilidade de um volume falso.

Análise comparativa sobre volume de usuários

Há outra métrica a ser considerada que é a Volume Total de Comércio por Usuário (Total Trading Volume Per User – TTVPU) ao par de moedas com maior liquidez – BTC/USDT.

Para calcular o Volume Total, pega-se os dados históricos de negociação para o par BTC/USDT e divide-se pelo número aproximado de usuários estimado usando a métrica de visitantes únicos mensais com relação à taxa de rejeição média deles. Em seguida, cria-se uma proporção simples dividindo o Volume mensal total de negociação pela métrica dos Usuários Únicos (UU) que pode ser obtido acompanhando as redes sociais da exchange por exemplo.

Imagem: Coin Metrics

Um caso suspeito e divergência sobre metodologia

Observar-se que as maiores exchanges apresentam nas primeiras 5 posições volumes muito próximos, não destoando-se entre si. Com efeito, se observarmos exchanges menores nessa lista, algumas apresentam volumes expressivos comparados às principais exchanges. A Bitflyer e a Therocktrading por exemplo. Se usarmos o método de análise da CoinMetrics.

No gráfico acima, há uma série de distribuições com cada linha representando a dispersão da correlação entre os mercados de uma exchange e os mercados confiáveis. Quanto mais correta a distribuição, mais intimamente correlacionada ela é com o volume do mercado confiável. Quanto mais à esquerda, menos correlacionado. Esses mercados são classificados pela correlação mediana de todos os mercados qualificados da exchange. Contudo, há divergências nas técnicas utilizadas por cada agregador.

Para a Hacken que também fornece dados para a CoinGecko e para Coinmarketcap, a Bitflyer é considerada uma exchange com volume confiável, tendo obtido a nota 9 na métrica que eles chamam de Trust Score. Portanto, é preciso encontrar um meio termo para classificar as exchanges em diversas métricas diferentes.

Conclusão

As metodologias apresentadas nesse artigo são as mais comuns usadas pelas casas de pesquisas e agregadores de preços/volume das exchanges e não são uma ciência exata, mas somente uma metodologia de inferência comparativa e estatística.

A luta conta contra os volumes falsos tem por meta combater uma prática que degenera a confiança dos investidores em relação a uma exchange, em um mercado que está calcado essencialmente sobre a confiança. Portanto, a apresentação de números fidedignos deveria ser a meta de qualquer empresa que se propõe a operar no mercado de criptoativos.

Fonte:https://cointelegraph.com.br/news/fake-volumes-why-do-cryptocurrency-exchanges-manipulate-your-trading-data

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