Mineradora de bitcoin começará a censurar transações pela primeira vez na história

Pela primeira vez na história do Bitcoin uma pool de mineração se comprometeu abertamente a censurar transações na rede da criptomoeda. 

A decisão foi tomada pela mineradora de ativos digitais Blockseer, subsidiária da empresa canadense DMG Blockchain Solutions – uma companhia dedicada a soluções em blockchain.

Atualmente, eles contam com três fazendas de mineração, totalizando 100 megawatts, uma estação completa de 85 megawatt e softwares proprietários para mineradores que queiram participar de sua pool. 

Instalações da Blockseer
Produtos da Blockseer

Blockseer e o Know Your Hashrate

Diferente do que é espalhado nas mídias tradicionais, o bitcoin não tem confidencialidade nas transações. Ou seja, todas as transações são públicas e isso permite um monitoramento completo do blockchain. 

E por meio  dessa transparência, a DMG não quer apenas cumprir os requisitos do governo dos Estados Unidos mas excedê-los em um escrutínio ainda maior nas transações aprovadas pela sua pool. 

“O novo pool de mineração de Bitcoin da Blockseer será o primeiro pool de mineração de bitcoin da América do Norte que não só se reunirá, mas excederá a conformidade do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do governo dos EUA para endereços BTC, além de fornecer o nível máximo de transparência, auditabilidade e governança corporativa.”

– afirmou a empresa em comunicado oficial

Para analisar as transações, a DMG criou um software proprietário de análise forense capaz de dar uma pontuação para as transações. Esse tipo de software é comumente usado em corretoras de criptoativos, mas é a primeira vez que uma pool irá utilizá-la.

“O pool do Blockseer integra os dados forenses cripto proprietários existentes da DMG, incluindo o Walletscore, para garantir que os blocos de transações estejam em conformidade com o OFAC, bem como outros fatores de risco que o Walletscore rastreia e gerencia … O pool do Blockseer conterá apenas transações filtradas usando os dados de rotulagem do Blockseer e walletscore, juntamente com fontes verificadas, como a lista negra ofac dos Estados Unidos para cripto

– pontuou a empresa

Em suma, foi criado uma espécie de Know Your Hashrate (KYH) que além das ferramentas de análise usará uma lista negra de endereços criada pelo governo dos Estados Unidos.

Censura pode se espalhar pela rede?

O anúncio foi visto com desconfiança pela comunidade de criptomoedas, especialmente entre os mais preocupados com privacidade e anonimato. 

É apenas uma questão de tempo até que a maioria dos pools de mineração de Bitcoin sejam forçados a fazer essa filtragem de transações

disse Riccardo Spagni, ex-desenvolvedor da moeda Monero.

A rede do bitcoin tem sido usada por ativistas de todo o mundo para escapar de sanções governamentais, como foi o caso de Julian Assange em 2010. O jornalista foi perseguido pelo governo dos EUA e teve todas as suas contas bancárias bloqueadas, lhe sobrando apenas o bitcoin para manter seu trabalho online.  Entretanto, recentemente a criptomoeda tem sido utilizada também por hackers e governos autoritários para escapar de sanções financeiras internacionais e promover o caos na internet. 

Irã, Coreia do Norte e Venezuela são nações que usam bitcoin para fazer transações internacionais. Com essa nova técnica de censura, qualquer transação ligada a esses países poderia ser bloqueada da rede pelas pools que seguissem as recomendações do governo. 

Com mais de 50% dos blocos minerados nas últimas 24 horas vindo de fontes conhecidas como a F2Pool, ViaBTC e  Poolin, seria fácil a imposição das novas regras de KYH.

Tabela com resumo dos blocos minerados
Fonte: Blockchain.info

Há solução para a censura? Como posso ajudar?

Contudo, a comunidade do bitcoin já vem trabalhando há anos em possíveis soluções para censura. As propostas vão desde melhorar a confidencialidade das transações, trocar o algorítimo de Proof of Work até a modificação do ‘design’ das pools com novos algorítimos. 

Segundo Spagni, o protocolo Stratum v2 poderia dificultar qualquer tentativa de censura na rede. 

Stratum V2 introduz três novos sub-protocolos que permitem aos mineradores selecionar seus próprios conjuntos de transações através de um processo de negociação com pools, melhorando a descentralização.” – afirma a Braiins, desenvolvedora do protocolo.

Entretanto Jan Čapek, fundador da primeira pool de mineração do mundo e da Braiins, disse que ainda é necessário um review formal antes de aplicar esta novidade.

O que você pode fazer para ajudar contra a censura na rede do bitcoin? Se você for desenvolvedor é possível ajudar no review da Stratum e ainda ganhar algumas frações de bitcoin por isso.

Outra coisa que qualquer um pode fazer é mostrar pontos negativos da censura, pois:

  1. Impede que os fundos de determinados endereços sejam confiscados pelas exchanges, dificultando o trabalho policial;
  2. Fará mais usuários migrarem para plataformas completamente anônimas e privadas, cujas transações são impossíveis de rastrear, portanto, fungíveis. 
  3. Diminui o valor da utilidade da rede, conhecida pela sua resistência a censura. 
  4. Não impedirá que mineradores independentes em algum momento coloquem as transações em um bloco.

Ajude na luta pela liberdade na rede do bitcoin e compartilhe esse post. Censura não!

Fonte: https://cointimes.com.br/mineradora-de-bitcoin-censura-transacoes/

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